Sobre a música da Ana Joyce





Eu particularmente gosto muito da Ana Joyce, a sua voz é bonita, e as suas músicas são muitas vezes envolventes, e polémicas também. Desta vez, na música ''Também quero'', ela trouxe a história de uma amiga que confessa à outra que se apaixonou por seu parceiro. Ela admitiu estar errada e envergonhada, mas quis ser honesta, e disse que não havia acontecido nada, que não queria interferir na relação deles, e então seria melhor que se afastasse da amiga. 

Essa é uma situação difícil de se confessar, e a amiga que se apaixonou, teve uma atitude de bravura e honestidade que muitas não teriam, e ainda consumariam fisicamente a traição que já começara em suas mentes.

Eu sempre fui apologista da ideia de que, a paixão é algo que nós permitimos sim, que aconteça, e nós temos sim, a capacidade de controlar o que devemos ou não sentir. Tem gente que diz que é impossível de controlar uma paixão, mas penso que isso é meramente uma desculpa para justificar a fraqueza de suas mentes. Será que essas pessoas também diriam que é impossível controlar, se fosse em uma paixão entre um pai e uma filha? ou uma mãe e um filho? ou entre irmãos? Pois, o discurso é o mesmo! 

Tem qualidades que nós almejamos encontrar em alguém, geralmente beleza, bom físico, inteligência, carinho e por aí. Ao encontrar alguém com essas características é normal pensar que, é isso, que se desejou mas não é saudável querer de uma pessoa que não está disponível. A questão é: querer as qualidades ou quer uma pessoa em particular? Na música a amiga diz: porque o beijo que ele te dá eu também quero, o amor que ele te dá eu também quero, esse homem que tu tens eu também quero; E eu pergunto: será que beijos ela só podia ter desse homem? Amor só podia vir dele? Ou talvez por que é mais fácil conseguir o que já se tem por perto, do que procurar ou gastar tempo esperando? 

A partir do momento em que se começa a pensar, não em querer um beijo qualquer, mas sim um beijo daquela pessoa, há que fazer-se uma avaliação na consciência. Até aí será apenas um desejo desenfreado que ocorreu, mas para chegar à paixão, como tal, foram um conjunto de pensamentos, que permitiu-se que ocorressem, permitiu-se talvez porque a imaginação estava melhor que a realidade, porque era confortante pensar como seria ter, aquilo tudo que a pessoa é e o que ela poderia dar,  que ficou irresistível deixar de pensar, pondo-se assim numa posição egoísta e esquecendo, que aquilo pertence à outro alguém, que poderíamos magoar muito.

No caso da música, ela talvez não agiu por maldade ou inveja, mas pecou por não ter evitado que a coisa chegasse ao ponto dela não conseguir controlar, pensando somente em como também queria ser amada do mesmo jeito por aquela pessoa. Dizer que vai se afastar, não vai mudar o facto dela ter construído toda essa situação dentro de si, mais valia que tivesse feito logo de início, e não quando tudo já estivesse consumado na sua cabeça, criando essa situação que não só afecta a relação com a amiga, mas afeta muito mais à ela, pois vai estar carregando o fardo de ter alimentado os seus desejos por tanto tempo, quando poderia ter cortado o mal desde o início. Os nossos pensamentos podem ser muito perigosos, quando alimentados, então tenhamos cuidado, e cortemos o mal pela raíz no primeiro sinal. 

Contudo essa é a minha apreciação sobre a música, e eu queria muito compartilhar ela, a questão das paixões desenfreadas é tão grande que não cabe em um texto só e eu não acabaria de escrever agora, provavelmente em um futuro muito próximo vou estar escrevendo outros textos sobre isso. Enfim, espero que vejam o vídeo, para quem já viu ok, porque está muito top, o enredo todo, a elaboração, as atuações, está tudo perfeito e a música realmente é tocante. Parabéns à Ana Joyce e a produtora Bom Som, pelo resultado.











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