Somos todas Carolinas agora?



O assunto do momento em Angola, tem sido os desaparecimentos e mortes de mulheres, em geral, tendo como mentores seus companheiros. Houve quem questionasse o porquê de isso estar acontecendo nos últimos tempos, se foi porque a operação resgate fechou muitas igrejas, se o mundo está mesmo no fim, e outros que chegaram ainda a culpar as vítimas por possíveis atos promíscuos.

É preciso deixar claro que a violência doméstica, abusos e desrespeitos sofridos por mulheres, vêm de um passado longínquo, e me admira muita gente pensar que é uma situação recente. Então é bom que comecemos a falar com maior frequência sobre isso, já estava mais do que na hora, mas isso deve ser feito de uma forma sensata, coerente, e franca.

Eu digo isso porque durante essa onda de comoção nacional, eu me deparei com diversas situações, que me chamaram muito a atenção. Pessoas dizendo que a mulher é perfeita, obra de Deus, maravilhosa, foi feita para ser amada, respeitada, cuidada, etc; e por isso não devemos tirar suas preciosas vidas. 

E eu queria frisar que nem que a mulher fosse promíscua, indecente, e sem luz de Deus, não merece ser morta. Quem disse que só as maravilhosas merecem ter a vida preservada? Precisamos ser perfeitas, boas donas de casa, e tudo mais para poder viver? Relou* pessoal, homicídio é homicídio, não importa a razão, a circunstância, ou género, não precisamos ter motivos para não sermos assassinadas.

E no meio desse assunto, alguns homens talvez por sentirem uma pressão, fizeram discursos totalmente sem noção e hostis. Homens também precisam de ser amados, respeitados, cuidados, também sofrem, também são mortos e lesados por mulheres, ok. Mas por favor, alguém pode dizer que o momento não é deles? Temos que aprender a separar os assuntos. 

Muitas mulheres morrem todos os dias, horas e minutos nas mãos de homens, uns são meros desconhecidos, nem dá para comparar ao índice de violência sofrido por homens. Então que peçamos à eles o mínimo de sensatez e empatia. E não! Isso não é uma guerra de sexos, então paremos de generalizar os homens, e tratar todos como se fossem inimigos, sabe aquele homem ignorante sobre o assunto? Então, converse com ele sobre isso, mesmo que a gravidade do assunto seja muito óbvia, ainda assim uma boa conversa resolve mais do que sair por aí xingando eles, até porque muitos têm carácter e nos dão o devido respeito.

E sabe aquelas correntes do WhatsApp? Pense bem quando for compartilhar, um quadro negro como foto de perfil não vai ajudar em nada, quando deve ter gente que nem olha direito para a sua foto. Se for para fazer algo, que tenha realmente algum impacto, vamos parar de nos esconder nas redes sociais, a vida real acontece fora dela.

Não julgue quem passar por abusos, mas sim ajude, denuncie, meta a colher se for preciso, não fique olhando, ou lamentando, apoie, oriente, se não saber orientar ajude a procurar quem possa fazer isso, porque há muita coisa envolvida por detrás desses abusos, e ninguém gosta de ser maltratado até a morte. Para os pais, há que educar seus filhos a respeitarem as mulheres, e suas filhas, a serem mulheres fortes, e preparadas para saber se posicionar quando algo não for bem na relação.  

Enfim, esse assunto é tão extenso, dá para escrever livros e livros sobre isso, sobre coisas até óbvias e desconhecidas por muitos, já sabidas mas ignoradas, e acho que aqui, a mensagem foi passada. E que o caso da Carolina seja um gatilho para que a nossa sociedade, fale, sensibilize, dê importância ao assunto, e combata a violência contra mulher, não deixe isso cair no esquecimento, pois é a realidade diária de milhões de mulheres pelo mundo. É isso, até o próximo texto.












Comentários

Mensagens populares deste blogue

O limite da nossa bondade

Sobre Sucesso

Ruídos brancos: Minha nova paixão